m prata de
um céu de montanha; o botão do punho era uma cabeça de
falcão, a guarda tinha sido esculpida com a forma de asas.
- Mandei fabricar aquela espada para Jon em Porto Real -
disse Lysa orgulhosamente aos convidados enquanto
observavam Sor Vardis experimentar um golpe. - Ele a usava
sempre que se sentava no Trono de Ferro no lugar do Rei
Robert. Não é adorável? Achei adequado que nosso campeão
vingue Jon com sua própria lâmina.
A lâmina com prata gravada era sem dúvida bela, mas a
Catelyn parecia que Sor Vardis talvez messe se sentido mais
confortável com sua própria espada. No entanto, nada disse;
estava cansada de discussões fúteis com a irmã.
- Faça-os lutar! - gritou Lorde Robert.
Sor Vardis virou-se para o Senhor do Ninho da Águia e
ergueu a espada numa saudação.
- Pelo Ninho da Águia e pelo Vale!
Tyrion Lannister sentou-se na varanda do outro lado do
jardim, flanqueado pelos guardas. Foi para ele que Bronn se
virou com uma saudação apressada.
- Eles esperam a sua ordem - disse a Senhora Lysa ao senhor
seu filho,
- Lutem! - gritou o rapaz, com as mãos tremendo, agarradas à
cadeira.
Sor Vardis girou, erguendo o pesado escudo. Bronn virou-se
para enfrentá-lo. As espadas ressoaram, uma, duas vezes,
testando-se. O mercenário recuou um passo. O cavaleiro
avançou, segurando o escudo à sua frente. Tentou um golpe,
mas Bronn saltou para trás, bem para lá do seu alcance, e a
lâmina prateada apenas cortou ar. Bronn rodeou-o pela
direita. Sor Vardis virou-se, seguindo-o, mantendo o escudo
entre ambos. O cavaleiro avançou, pousando com cuidado as
pés no chão irregular. O mercenário cedeu, com um tênue
sorriso brincando em seus lábios. Sor Vardis atacou, lançando
cutiladas, mas Bronn saltou para fora de seu alcance, pulando
com Igeireza por cima de uma pedra baixa, coberta de musgo.
Agora, o mercenário flanqueava pela esquerda, para longe do
escudo, na direção do lado desprotegido do cavaleiro. Sor
Vardis tentou uma estocada nas suas pernas, mas não tinha
alcance suficiente. Bronn dançou mais para a esquerda. Sor
Vardis girou no mesmo lugar.
- O homem é um medroso - declarou Lorde Hunter. - Pare e
lute, covarde! - outras vozes fizeram eco daquele sentimento.
Catelyn olhou para Sor Rodrik. O mestre de armas deu uma
concisa sacudidela na cabeça.
- Ele quer fazer com que Sor Vardis o persiga. O peso da
armadura e do escudo cansará até o mais forte dos homens.
Ele vira homens treinar esgrima quase todos os dias de sua
vida, assistira, nos seus tempos, a meia centena de torneios,
mas isto era algo diferente e mais mortífero, uma dança onde
o menor passo em falso significaria a morte. E, enquanto
observava, a memória de outro duelo, em outro tempo,
regressou ao espírito de Catelyn Stark, tão nítida como se
tivesse sido no dia anterior.
Tinham-se encontrado na muralha inferior de Correrrio.
Quando Brandon viu que Petyr usava apenas elmo, peitoral e
cota de malha, despiu a maior parte de sua armadura. Petyr o
lembrou que podia usá-la, mas ele rejeitara. O senhor seu pai
a prometera a Brandon Stark, e por isso foi a ele que deu o
seu sinal, um lenço azul-claro que bordara com a truta
saltante de Correrrio. No momento em que apertava o lenço
entre os dedos, ela confessou:"Ele não passa de um rapaz
insensato, mas amei-o como a um irmão. Sofreria demais se o
visse morrer". E seu prometido a olhou com os frios olhos
cinzentos de um Stark e lhe prometeu poupar a vida do rapaz
que a amava.
Aquela luta terminara quase tão depressa como começara.
Brandon era um homem-feito, e empurrou Mindinho ao longo
de toda a muralha e pela escada da água abaixo, fazendo
chover aço sobre ele a cada passo, até deixá-lo cambaleando e
sangrando de uma dúzia de ferimentos. "Renda-se!" ele
gritou, mais de uma vez, mas Petyr limitara-se a abanar a
cabeça e continuou lutando, carrancudo. Quando o rio já lhes
batia nos tornozelos, Brandon finalmente acabou com a luta,
com um golpe brutal dado por trás que cortou a malha e o
couro de Petyr e se enterrou na carne mole sob suas costelas,
tão profundamente que Catelyn teve certeza de que a ferida
era mortal. Ele a olhara ao cair e murmurara "Cat", enquanto
o sangue vermelho vivo brotava por entre os dedos recobertos
de cota de malha. Catelyn julgara que tivesse esquecido
aquilo.
Fora a última vez em que vira seu rosto... até o dia em que foi
trazida à sua presença em Porto Real.
Decorrera uma quinzena até Mindinho estar suficientemente
forte para abandonar Correrrio, mas o senhor seu pai a
proibira de visitá-lo na torre onde estava acamado. Lysa
ajudara o meistre a tratar dele; naquele tempo, era mais
suave e tímida. Edmure também tentara visitá-lo, mas Petyr
o mandara embora. O irmão de Catelyn agira como escudeiro
de Brandon no duelo, e Mindinho não o perdoaria. Assim que
ficou suficientemente forte para ser movido, Lorde Hoster
Tully mandou Petyr Baelish embora em uma liteira fechada,
para terminar de se curar nos Dedos, no promontório rochoso
varrido pelo vento onde nascera.
O ressoante estrondo 